A relação entre indústria farmacêutica e profissionais de saúde é uma das áreas mais reguladas do nosso setor. Não é só compliance interno: é a confiança da sociedade de que a prescrição que ela recebe vem da evidência clínica, não de quem ofereceu o melhor brinde. Por isso, na Myralis, toda interação com médicos, farmacêuticos, dentistas, enfermeiros e gestores hospitalares segue quatro camadas de regra: ANVISA (especialmente RDC 96/2008), Interfarma (código de boas práticas do setor), os conselhos profissionais (CFM, CFF) e o nosso código interno, que muitas vezes é ainda mais restritivo.
Limite de brindes
A regra de ouro é R$ 200 por pessoa, por evento. E o brinde tem que ser educacional: livro técnico, inscrição em curso, material de literatura científica, acesso a banco de dados clínico. Esses passam.
O que não passa:
- Dinheiro em qualquer forma.
- Vale-presente (que equivale a dinheiro).
- Eletrônicos (celular, fone, smartwatch, tablet).
- Viagens que não são pra fim científico.
- Itens de luxo, mesmo dentro do limite (ex: caneta de marca cara).
Hospitalidade em congressos
Passagem aérea, hospedagem e inscrição cobertas pela Myralis exigem três coisas em conjunto: pré-aprovação formal do Compliance antes do evento, contrato com o profissional descrevendo o escopo, e agenda científica predominante. Predominante significa pelo menos 6 horas por dia de programação científica. Tour turístico, jantar de gala ou day-off não contam pro mínimo.
Se o evento não atende esses critérios, a hospitalidade vira despesa promocional indevida, e isso a ANVISA, a Receita e o jurídico tratam como infração séria.
Registro obrigatório em 48h
Qualquer brinde acima de R$ 50, oferecido por você OU recebido por você, vai no formulário de registro em até 48h depois do evento. O caminho é o canal interno de Brindes e Hospitalidade. Você descreve quem, quando, o quê, valor estimado e contexto.
Mesmo brindes que você devolveu ou recusou: registre. O registro mostra que houve oferta e que você agiu certo.
Por que tudo isso
A percepção pública do setor é frágil. Um único caso de propagandista oferecendo viagem internacional vira manchete e mancha cinco anos de trabalho regulatório. O código é desenhado pra proteger três coisas em ordem: o paciente, o profissional de saúde e a empresa. Quando em dúvida, a pergunta certa é: 'se isso saísse na primeira página de um jornal amanhã, eu defenderia?'. Se a resposta é não, não faça.
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