Conflito de interesses não é só sobre dinheiro grande. É sobre qualquer situação em que seus interesses pessoais, familiares ou financeiros possam, mesmo que apenas em aparência, influenciar uma decisão profissional. A boa notícia: declarar é simples e te protege. A má notícia: não declarar é falta grave demissível, mesmo que nada de errado tenha acontecido na prática.
O que conta como conflito
- Contratar fornecedor de parente, cônjuge ou amigo próximo.
- Decidir promoção de subordinado com quem você tem relação fora do trabalho.
- Ter ações, cotas ou participação em concorrente, fornecedor ou cliente.
- Fazer consultoria, palestra ou trabalho remunerado em empresas do setor.
- Receber convite pra evento (jantar, jogo, viagem) de quem tem decisão pendente com você.
A aparência também conta
Você não precisa ter intenção pra criar conflito. Basta a aparência. Se um colega externo olhar a situação e tiver dúvida razoável, já está configurado. O critério é o do observador externo, não o seu.
Como declarar
O caminho é o canal interno de Declaração de Conflito. Você descreve a situação em 3 a 5 linhas e clica enviar. O Comitê de Ética recebe na hora e tem 15 dias úteis pra retornar com uma das quatro ações:
- Sem necessidade: o Comitê avaliou e não há conflito real ou aparente. Você segue normal.
- Mitigação: o conflito existe mas pode ser controlado com transparência (ex: declarar no início da reunião que você tem vínculo).
- Afastamento da decisão: você se mantém na área, mas não participa daquela decisão específica.
- Transferência: o conflito é estrutural; o Comitê propõe mudança de equipe ou de atribuição.
Falta grave
Não declarar quando deveria é falta grave passível de demissão por justa causa, mesmo que nada de errado tenha acontecido. A justificativa é simples: o sistema só funciona se as pessoas declararem. Quem omite quebra o sistema.
Quando em dúvida, declare. Custa 3 minutos e te protege. O Comitê devolve rápido e a maioria das declarações resulta em 'sem necessidade'.
Manual interno · Myralis